Diário do Nordeste Plus

Três destinos cearenses para desbravar nas férias

Independentemente de sua preferência, seja praia, sertão ou serra, montamos um guia para você aproveitar uma viagem a dois ou curtir as férias ao lado de toda a família. Também reunimos dicas de ouro de quem conhece cada lugar de olhos fechados

Texto: Jacqueline Nóbrega

Não é só de praias que o Ceará vive. O Estado é referência quando o assunto é turismo no Brasil. Para aproveitar as férias, seja em uma viagem a dois ou com toda a família, montamos um guia de três destinos cearenses ainda não tão desbravados pelos cearenses e turistas.

A Praia de Icaraí de Amontada é conhecida pela descrição paradisíaca. A pequena aldeia, onde até o sinal de telefone celular é difícil de conseguir, foi descoberto por praticantes de kite e windsurfe. Já o Geopark Araripe reserva programação para os mais aventureiros, como trilhas de bike e a pé, e traz uma rica viagem pela cultura da Região do Cariri. Você sabia que a primeira flor do planeta nasceu na Chapada do Araripe? O paraíso reserva muitas surpresas! Por último a Rota do Café Verde, que inclui as cidades de Baturité, Mulungu, Guaramiranga e Pacoti. No passeio, o visitante pode conhecer os processos de torra e moagem do café, por exemplo, além de fugir do calor e aproveitar os bons restaurantes da serra, conhecida como “Suíça Cearense”. Confira o guia!

Rota do Café Verde

O roteiro inclui paradas em Baturité, Mulungu, Guaramiranga e Pacoti, cidades serranas remanescentes da cafeicultura de sombra. No passeio, o visitante pode conhecer os processos de torra e moagem do café, além dos casarões centenários, decorados com mobiliário de época. Tudo isso embalado por uma boa conversa com os descendentes das antigas famílias produtoras da região e, é claro, acompanhado de um delicioso café.

Estação Ferroviária de Baturité Foto: Bruno Gomes

A primeira parada do destino é a Estação Ferroviária de Baturité, que abriga acervo pertencente aos trens e ao complexo ferroviário e também mobiliário e objetos das antigas residências da região, que remontam o contexto histórico e social do fim do século XIX até meados do século passado, época áurea do café no Estado.

De lá, sugere-se seguir para o Mosteiro dos Jesuítas, na verdade um seminário, transformado posteriormente em internato e hoje casa de retiro. No local, tem-se a oportunidade de conhecer uma edificação majestosa, a maior parte em pedra, erguida pelos jesuítas portugueses, com uma vista panorâmica do Maciço de Baturité, além de avistar a Fazenda Caridade, um dos cartões-postais do plantio do café sombreado na região.

Mosteiro dos Jesuítas Foto: Bruno Gomes

No Sítio Águas Finas, localizado no caminho de Guaramiranga, é onde se começa, de fato, a percorrer os cafezais de sombra da serra. Os visitantes são recepcionados por seu Francisco. Segundo ele, o grão colhido no casarão é orgânico, de origem arábica e é o único do tipo floresta no Brasil. Ainda no local, caminha-se pelo cafezal secular em uma trilha de 1,5 quilômetro com altitude média de 700 metros. Pelo caminho, feito em torno de 45 minutos, muitos atrativos aguardam o visitante, como a Casa do Velho da Mata, com degustação de sucos e frutas fresquinhas da estação; a Casa do João de Barro, onde aprende-se mais sobre esse curioso pássaro que habita a região; avista-se a Barriguda, uma árvore centenária bastante alta, além de ainda ser possível observar pica-paus.

Trilha do Sítio Águas Finas Foto: Bruno Gomes

Compõe, ainda, a Rota do Café Verde os Sítios São Roque, Floresta e São Luís. No primeiro, localizado a dois quilômetros da estrada que leva a Mulungu, jardins, pássaros e um casarão autêntico ladeado por uma graciosa capela em homenagem a São Roque compõem o cenário da propriedade, que data de 1813. Já no segundo é onde se tem contato com todas as etapas do processo de beneficiamento do café de sombra. O local produz ainda uma linha de produtos naturais, derivados do café e da banana.

Fazenda São Roque Foto: Bruno Gomes

O Sítio São Luís, por sua vez, a cinco quilômetros do Centro de Pacoti, foi erguido por arquitetos holandeses e guarda toda a história das famílias pioneiras do cultivo do café. É cercado por uma mata, formando uma paisagem que já foi cenário de vários filmes. A visita é coroada com um lanche que inclui café acompanhado de pão e ricota caseiros e um bolo de café, receita centenária da família de Cláudia Góes, proprietária do lugar, que recebe todos os visitantes.

Sítio São Luís Foto: Bruno Gomes

Dica extra

Em Redenção, também localizada na região do Maciço de Baturité, vale uma parada para conhecer o Museu Senzala Negro Liberto, que traz arquitetura original da época da escravatura, além de um importante recorte da história do Ceará. Vale destacar que a cidade foi a primeira a libertar seus escravos, antes mesmo da Princesa Isabel assinar a Lei Áurea.

Depoimento de quem já foi

“O que mais me encanta nesse roteiro é a possibilidade de encontrar clima ameno, paisagem exuberante, boas hospedagens e restaurantes. A Rota do Café permite a possibilidade de um passeio histórico, conhecer as tradições locais e ainda apreciar um excelente café, além de contribuir com a permanência sustentável da serra, através de um turismo equacionado com o desenvolvimento local. Particularmente, costumo frequentar três restaurantes: Studio 70, Sabor Natural e Hofbräuhaus, todos em Guaramiranga”.
Fabiana Gizele

"Articuladora do Sebrae no Maciço de Baturité e gestora do projeto Rota Verde do Café"

Icaraí de Amontada

Icaraí de Amontada, ou Icaraizinho, como é carinhosamente chamada por quem visita o destino, apesar de já ter sido descoberta por alguns cearenses e turistas, ainda é um lugar calmo, para quem gosta de descansar e ter a oportunidade de conviver com os nativos da praia. O cenário paradisíaco, localizado na costa oeste de Fortaleza, além da própria praia, ainda esconde a Lagoa da Várzea, que se encontra a um quilômetro do vilarejo, protegida pelas dunas. Foi descoberta pelos praticantes de kite e windsurfistas devido ao vento forte, que se reúnem no local principalmente entre os meses de julho e janeiro.

Icaraí de Amontada Foto: Natinho Rodrigues

A praia ainda possui escola de kite, a exemplo da Mango Kite Club, que além de instrutor, disponibiliza aluguel de equipamento para quem quer se arriscar no esporte, e pousadas charmosas, que oferecem bangalôs para os clientes

Depoimento de quem já foi

A cearense Larissa Castro é autora do blog "Vamos Viajar Brasil" e, como se autodefine no endereço virtual, não recusa um convite para conhecer novos destinos. Conheceu Icaraí de Amontada em 2007, depois de ouvir histórias sobre a praia do marido. Desde então, é um dos seus destinos preferidos em solo cearense. Ela, inclusive, já perdeu as contas de quantas vezes visitou o lugarejo.

Larissa Castro já perdeu as contas de quantas vezes visitou Icaraí de Amontada Foto: Arquivo Pessoal
“Icaraí de Amontada é uma daquelas praias que você chega e se desconecta de tudo. A beleza do vilarejo, o coqueiral e o pôr do sol formam um visual paradisíaco e, para completar, a simplicidade e a hospitalidade dos nativos trazem um charme extra ao local. Para meu esposo, a praia ainda tem um encanto extra: os bons ventos para a prática de windsurfe. Sempre indicamos a praia para viagens românticas, por ser um local sem muita badalação, tranquilo e com pousadas charmosas. O destino também atrai turistas de todo o mundo em busca dos ventos, principalmente no começo da temporada, que inicia em julho, ou seja, Icaraizinho se torna um lugar indicado para amigos que procuram esportes ou apenas relaxar. No quesito gastronomia, acho isso um grande diferencial, pois é um destino onde comemos muito bem. Sugiro os restaurantes Moinho dos Ventos e os das pousadas Hibisco e VillaMango. Agora tem uma filial da sorveteria Casa de Pedra, uma das nossas preferidas em Jericoacoara, então, essa é mais uma boca dica!. E para finalizar, não deixe de provar os pães da Padaria do Suíço. Dependendo da sua pousada, provavelmente os pães do seu café da manhã serão de lá, mas, caso não, sugiro que dê um pulinho na local, que fica na rua do Posto de Gasolina, e não deixe de provar o croissant, o brioche e o pão de chocolate. Pode ser que você tenha sorte e consiga algum para o mesmo dia, se não, encomende para o dia seguinte”.
Larissa Castro

Autora do Blog “Vamos Viajar Brasil”

Geopark Araripe

Criado em 2006, o Geopark Araripe foi o primeiro geoparque das américas e hemisfério sul reconhecido pela Global Geoparks Network (GGN). Com 3.441km³, está localizado no sul do Estado do Ceará e é composto por 9 geossítios, locais que apresentam elevado interesse geológico, que estão distribuídos em seis municípios da Região do Cariri: Batateiras (Crato), Pedra Cariri e Ponte de Pedra (Nova Olinda), Parque dos Pterossauros e Pontal de Santa Cruz (Santana do Cariri), Cachoeira de Missão Velha e Floresta Petrificada (Missão Velha), Riacho do Meio (Barbalha), Colina do Horto (Juazeiro do Norte).

Cada geossítio tem um atrativo para quem o visita. Batateiras, por exemplo, está localizado na área do Parque Estadual do Sítio Fundão, e é rodeado por trilhas ecológicas. Para conhecê-las, o turista precisa estar acompanhado de um guia credenciado. Ainda é possível visitar a cascata do Lameiro, conhecer uma casa feita de taipa, edificação de barro batido, com um primeiro andar, sendo a única casa do Brasil registrada neste modelo de construção e ruínas de um engenho de cana-de-açúcar.

Batateiras Foto: Marcelo Moura Fé/ Acervo do Geopark Araripe

Para conseguir se dedicar à filha, ela conta com o apoio da mãe, que lhe auxilia quando a menina precisa estudar. “De manhã vou para a escola e de tarde faço um cursinho. No sábado e domingo, sempre estou de olho em aulas gratuitas. É muito difícil para mim passar o dia longe da minha filha, mas sei que é um sacrifício para um bem maior”.

Museu de Paleontologia da URCA reúne peças do período cretáceo
Ponte de Pedra Foto: Constance Pinheiro/ Acervo do Geopark Araripe

O Parque dos Pterossauros está localizado no Sítio Canabrava, de propriedade da URCA, e é um dos principais atrativos do Geopark Araripe. De acordo com o livro "Geopark Araripe: Histórias da Terra, do Meio Ambiente e da Cultura", lá se tem a vista para uma das partes mais férteis da Bacia do Araripe, caracterizada pela plantio de feijão e milho e criação de gado. É uma das áreas mais antigas de achados de fósseis. Já chamou atenção de garimpeiros e cientistas, até a chegada de um empresário americano que tentou se aventurar no comércio destes achados e adquiriu a terra de proprietários locais.

Quando ficou sabendo da ilegalidade da extração e da exportação de fósseis no Brasil, resolveu doar a terra para a URCA. O local é regularmente palco de escavações paleontológicas, reunindo especialistas de todo o Brasil.

No Pontal da Santa Cruz, é possível fazer a trilha do Pontal, indicada para os mais aventureiros, além de visitar a Capela São Bom Jesus das Oliveiras e o restaurante do Pontal Cruzeiro. Já na Cachoeira de Missão Velha, os visitantes podem conhecer a cachoeira que leva o nome do geossítio, o canyon do Rio Salgado, icnofósseis, estruturas sedimentares dos arenitos, Fonte do Pinga e fazer a trilha da Casa de Pedra.

Cachoeira de Missão Velha Foto: Marcelo Moura Fé/Acervo Geopark Araripe
Pontal de Santa Cruz Foto: Constance Pinheiro/Acervo Geopark Araripe

A Floresta Petrificada guarda um tesouro paleontológico de valor incalculável, que tem especial importância para o estudo da paleobotânica e da evolução geológica. Quem for visitar o geossítio, pode descobrir lugares como o paredão rochoso e os troncos fossilizados.

Floresta Petrificada Foto: Constance Pinheiro/ Acervo do Geopark Araripe

O Riacho do Meio oferece trilhas e bicas de água. Há um lugar conhecido como refúgio de cangaceiros, a Pedra do Morcego. Alguns acreditam que o lugar tinha servido como parada a Lampião e seu grupo de Cangaceiros, na visita que fez ao Cariri por ocasião da suposta ameaça pela Coluna Prestes, em 1926. A ave Soldadinho do Araripe está preservada na região.

Riacho do Meio Foto: Constance Pinheiro/Acervo do Geopark Araripe

O geossítio Colina do Horto, localizado inteiramente na zona urbana de Juazeiro do Nordeste, compreende a estátua do Padre Cícero, o Museu Vivo do Padre Cícero, a igreja do Senhor Bom Jesus do Horto e a trilha de acesso ao Santo Sepulcro. O local, que reúne duas capelinhas, é onde foi enterrado um dos beatos que viveram na época do Padre Cícero e sempre recebe visita de romeiros.

Estátua do Padre Cícero Foto: Kid Júnior

Dica extra: Floresta do Araripe

Ainda no território do Geopark Araripe, encontra-se a Floresta Nacional do Araripe, onde está localizado o maior single track, modalidade de mountain bike, do Brasil. Hoje o lugar é procurado por quem gosta de pedalar e apreciar a natureza. Ernesto Rocha é um dos fundadores do Eco Biker’s, grupo criado há 20 anos e que faz um trabalho com os moradores do entorno da mata. “Conseguimos formar uma cultura sobre as duas rodas e em nossa região hoje temos muitos praticantes, além de boas lojas de bicicletas”.

Há pouco mais de um ano, também está envolvido na Trilhar, empresa que elabora roteiro para atender a demanda dos turistas. “Temos desde uma rota de cicloturismo, chamada Ciclotur, com cerca de 300 km, para ser percorrida em cinco dias, contemplando todo o território do Geopark Araripe, além de passeios na Floresta Nacional do Araripe, onde é possível fazer o circuito de single track. O ideal para iniciantes são as trilhas do Belmonte e Picoto. Fazemos também roteiros sob medida”, conta ele.

A dica é conhecer a Floresta do Araripe em uma trilha de bike Foto: Ernesto Rocha/Arquivo pessoal

Depoimento de quem já foi

“No Cariri, além das trilhas e beleza natural da região, existem outros atrativos como a cultura popular, bandas cabaçais, reisados, artesanato em couro, madeira e palha. Com relação à culinária local, indico comidas como o baião com pequi e os doces”.
Ernesto Rocha

Integrante da Eco Biker's e da empresa Trilhar

    Como chegar

  • Quem for visitar o Geopark Araripe pode ser hospedar em Crato, que é o município central para ter acesso aos geossítios, ou em Juazeiro do Norte. A distância média entre as duas cidades é de 12 km. O mais indicado é ir para Juazeiro de avião, já que no local tem o Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes, pois de carro a viagem dura em média de 6 a 7 horas.