Diário do Nordeste Plus

Por onde andei?

Descubra o que estão fazendo hoje em dia Poliana da Paraíso, Pintinho Piu, Carlos Rilmar e Xuxa Cearense!

Um paraíso particular



A ideia era associar uma garota propaganda com a maçã das lojas Paraíso, uma das principais redes do comércio de eletrodomésticos do Nordeste, nos anos 90. A garota escolhida fugia dos padrões ditados nos anos 90. Poliana Moraes era escolhida como "garota paraíso". Medindo 1,54m, com sobrepeso, mas muito carisma, Poliana se consagrou na função e, em pouco tempo, já era conhecida como a "Poliana da Paraíso".

Durante quase uma década, Poliana protagonizou uma das campanhas publicitárias de maior sucesso do mercado cearense. Foram 8 anos quase ininterruptos vivendo a mulher que sempre aparecia comendo uma maçã, até o fechamento da rede, em 1999. "Eu fazia teatro e o Eduardo Odécio me viu e resolveu me associar à própria maça. Por isso, sempre segurava a fruta, estava sempre vestida de vermelho e com o cabelo preso evidenciando o rosto. Nós ficamos os primeira 45 dias no ar e foi um boom. A coisa aconteceu meio que por acaso, ninguém esperava ser o sucesso que foi", destaca Poliana.

Aos 24 anos e com contrato exclusivo, Poliana era presença indispensável nas lojas e nas campanhas da rede. Na rotina estavam gravações, sessões de foto, gravação de spots de rádio, comerciais, além dos eventos da marca. Em inauguração de lojas, Poliana da Paraíso sempre estava presente. Pessoas formavam filas na porta do estabelecimento para poder conhecer a garota propaganda de perto. “Era uma rotina prazerosa. Gravávamos as cabeças e os fechamentos em um dia só. Começávamos às 20h e íamos até às 8h do dia seguinte. Era cansativo, mas muito bom. Eu adorava. E adorava ser a “Poliana da Paraíso”, destaca, que chegou a autografar pôsteres e centenas de encartes.

E assim foram os 8 anos de contrato, até o fechamento da rede, em 1999. A partir daí, Poliana fez outras campanhas, participou de outros espetáculos e eventos. Porém, foi em 2003, que a atriz iniciou uma mudança radical. Pesando 193 Kg distribuídos nos seus 1,54m, a atriz recebeu um ultimato: ela precisava cuidar da sua saúde ou não sobreviveria. Foi ai que Poliana submeteu-se a uma gastroplastia, cirurgia de redução do estômago.

“Eu sempre fui uma criança gordinha. A adolescência, a idade adulta. Mas eu fazia tudo, eu dançava, fazia sapateado, eu era muito ativa. Meu peso não era empecilho para mim. Mas Chegou um momento que eu precisei cuidar de mim. Pensava 194 Kg. Durante uma consulta, o médico me disse que eu tinha que emagrecer. E fiz. Dos 194 Kg cheguei a pesar 56 kg. Quando dizem que eu estou outra pessoa respondo que não é outra pessoa, é a mesma, só que em novo layout", diz

Apesar do sobrepeso de antigamente, ela conta que nunca deixou de fazer nada. Inclusive, acredita que uma parte do sucesso como Poliana da Paraíso se deve ao peso. "Eu era a única garota propaganda que fugia do padrão de beleza. Nós diversificamos esse padrão. Antigamente você não via muito mercado plus size. Eu tinha que mandar fazer roupa fora, até roupa íntima. Hoje não, você vê que tem um mercado claramente estabelecido. Eu fico muito feliz em ver modelos plus size ganhando destaque pelo mundo", afirma.

Atualmente, Poliana é publicitária e sonha em, um dia, escrever um livro contando um pouco mais da sua história. Por enquanto, ela curte a nova fase que saboreia, de esposa e dona de casa. “Eu acredito que nós temos várias fases. E hoje eu to curtindo o momento”, finaliza.

O príncipe que virou servo



Cabelos grandes, pose de galã, gingado e estilo irreverente fizeram de Carlos Rilmar um dos cantores de forró de maior destaque da década de 90. O Príncipe do Forró, como era conhecido, conquistou o Brasil com seus hits “Princesinha”, entre outros primeiros sucessos.

De acordo com Carlos, a vontade de ser percebido no País inteiro começou cedo, quando ainda era cantor da banda Aquários. “Eu sempre dizia para mim: eu acredito no que eu faço, eu vou me sobressair. E eu queria poder proporcionar à minha mãe tudo de melhor”, diz. E aos poucos o artista foi se preparando e alcançando novos voos. Os caminhos foram ficando mais interessantes. De uma banda à outra, de um projeto ao outro, o nome do artista ia ficando cada vez mais conhecido.

Nas apresentações estava sempre a irreverência de Carlos Rilmar. A começar pelo visual. O cantor se vestia de um jeito bem diferente para um forrozeiro, com jaquetas pretas, calças rasgadas, look mais parecido com o de roqueiros. Na performance estavam muito carisma e criatividade: o cantor chegava de moto no palco ou utilizava um caixão para compor o cenário. “Eu achava que eu era legal, tinha um visual bacana, era um cara bonito, carismático. Mas eu não tinha uma voz impecável. Então, eu via a performance como um jeito de compensar”, destaca Carlos. A inspiração vinha do cantor de artistas norte-americanos.

E a ideia deu muito certo. Tanto que o cantor se destacou em todas as regiões do País. Em uma comparação, poderíamos dizer que Carlos Rilmar estava para Wesley Safadão nos anos 90. “Em 92, eu comecei a me deparar com fama, com o sucesso. Eu já nem podia ficar em casa porque as meninas invadiam. Eu acabei me tornando um sex symbol do forró, tirava a roupa no palco, mas sem beber, sem fumar. Na época, modéstia à parte, eu não via ninguém pra bater comigo, por causa do estilo que eu tinha. Eu entrava de moto no palco. Foi assim que eu mergulhei no meio artístico”, destaca. Os shows eram constantes, 5, 6 por noite e em vários estados, entrevistas nos principais veículos de comunicação do País. E para cada apresentação uma ideia diferente, sempre com o dedo de Carlos. O figurino e a performance sempre tinham que ter um diferencial.

Carlos continuou como o Príncipe Pop do Forró até 1997, ano em que sua vida iria mudar. Foi naquele 97, durante um show em São Paulo, que Carlos anunciava que iria deixar a carreira tradicional de cantor de forró de lado. “Eu fui fazer um show em Acaraú. E lá do lado do hotel tinha uma igreja. E lá eu ouvi os louvores e aquela música me chamou atenção. Eu prendi o cabelo, e fui na igreja, dia 12 de julho de 1997. Eu fui atraído porque havia um chamado na minha vida. E depois eu fui para um aniversário com eles. Quando eu cheguei em casa, eu decidi ir à igreja e minha mulher me acompanhou. E assim foi, hoje eu tenho essa paz. Eu tinha dinheiro, sucesso, fama, mulheres, mas tinha um vazio. Quando eu me deparei com a pessoa de Cristo, me encontrei”, destaca.

Atualmente, Carlos Rilmar continua cantando o mesmo ritmo, porém, com mensagens diferentes. “Hoje eu continuo cantando forró, mas com outras mensagens. Eu e minha esposa somos pastores e vivo na minha família”, destaca o príncipe que hoje virou servo.

De Xuxa a Lady X



Cabelos loiros, simpatia e uma semelhança com a apresentadora Xuxa Meneghel fizeram Lionah Dias ficar conhecida como Xuxa Cearense nas décadas de 80 /90. À época, Lionah ocupava o posto de assistente de palco e dançarina no programa Irapuan Lima. A simpatia da garota no auge da sua juventude evidenciava as comparações feitas com a apresentadora Xuxa, eterna Rainha dos Baixinhos, de quem chegou a ser cover.

Tudo começou quando Lionah veio para a Capital. Natural de Quixeramobim, a loira veio morar em Fortaleza aos 14 anos, e conseguiu seu primeiro emprego aos 15. Foi lá, escutando música, que a sua veia artística desabrochou. De lá, conseguiu destaque e foi chamada para ser assistente de palco do programa Irapuã Lima. Sua semelhança com a apresentadora e "Rainha dos Baixinhos" lhe rendeu o título de Xuxa Cearense. E assim Lionah ganhava destaque na mídia.

A moça recebeu diversas propostas de trabalho, entre eventos, parcerias, comerciais, propagandas. Na rotina estavam viagens, shows, desfiles, sessões de fotos, gravação de programas, apresentações em circos, entre vários outros projetos. "Foi uma época maravilhosa. Eu tinha um corpaço, então me destacava. As pessoas faziam questão de estar ao meu lado. Eu não podia andar na rua por causa dos fãs. Os empresários queriam que eu fizesse propaganda com os produtos deles", destaca Lionah, que chegou a ser garota propaganda das Óticas Boris e do macarrão Fortaleza.

Entre os momentos mais especiais, Lionah destaca o convite do amigo Abelardo Barbosa, para que fosse trabalhar junto com ele. "Ele me chamou para passar uma semana na residência dele. Eu fui e lá ele me levou nos estúdios e perguntou se eu não queria trabalhar com ele. Eu disse que gostava muito da minha cidade e que não queria sair daqui. Essa foi uma grande oportunidade", relembra.

Hoje, aos 53 anos, ela confessa que sente muitas saudades daquele tempo, e que deixou muitas oportunidades boas passarem. O glamour e o assédio de celebridade foram embora. "Eu tive muitas propostas boas, muitos pedidos de casamento, mas não aceitei. Eu nunca achei que os 25 anos fossem passar, para mim aquilo era eterno. Hoje eu me arrependo do que eu não fiz", confessa Lionah.

Apesar de não estar mais em evidência, Lionah não abandonou os palcos. Apesar de ter passado por certas dificuldades, ela reconstruiu sua vida e, atualmente, é assistente de produção da TV Diário. “Voltei e emplaquei no João Inácio. Foi lá que as pessoas passaram a me reconhecer como Lionah Dias”, diz. Além do João Inácio Show, Lionah trabalhou programa Ênio Carlos e se consagrou como a Lady X, uma personagem do Clube do Brega.

E o pintinho?



“Lá em casa tinha um pinto. Lá em casa tinha um pinto. E o pintinho piu, e o pintinho piu, e o pintinho piu". Foi dublando esses versos que o cearense Dheymerson Farias tornou-se conhecido no Brasil, nos anos 2011, 2012. Natural de Jaguaruana, o menino nunca imaginou que o trabalho ganharia tamanha proporção, afinal, o vídeo não teve uma megaprodução: apenas Dheymerson cantando, em frente à câmera, em estilo “selfie”. O vídeo já acumula mais de 3 milhões de visualizações.

“Eu vi que um programa de TV estava premiando o vídeo mais engraçado, então me incentivei e fiz o vídeo. Na época eu tinha 11 anos. Quando fiz o vídeo não achava que ia fazer tanto sucesso, me surpreendeu pelos milhões de acessos”, destaca o jovem. Na época, a produção fez tanto sucesso que Dheymerson rodou o Brasil inteiro se apresentando em diversos programas nacionais. Foram mais de 20 viagens. Dheymerson mudou a rotina, com entrevistas em rádio, TV e participação especial nos principais programas de auditório do País. Nas apresentações, dançarinos fantasiados de bichos iam entrando em cena, enquanto o jovem cearense ia soltando a voz. “Foi muito legal essa época. Entre as lembranças estão as viagens que fiz com meus pais para São Paulo, os programas de TV que participei, os famosos que conheci”, diz.

Pintinho Piu

Tendo em vista o sucesso do vídeo, os pais de Dheymerson decidiram arriscar na carreira do filho e apostaram no lançamento do seu primeiro CD, intitulado, "Festa Animal". Foram 11 faixas gravadas: "Festa Animal", "Totó e Tutu", "Será Que a Arara Loura Falará ?", "A Dança da Careta", "Seu Aniversário", "Depois da Escola", "O Melhor Amigo", "Só na Bola", "Tic Tac", "O Pintinho"/ "Pintinho Piu". Para isso, os pais abandonaram os empregos, venderam a casa e se mudaram para Fortaleza. Foram investidos cerca de R$ 40 mil. Porém, o sonho não decolou e a família passou por muitas dificuldades.

Apesar das dificuldades enfrentadas, a família está se reerguendo. Atualmente Dheymerson está com 15 anos. O garoto segue estudando e deixa claro que os planos não acabaram. “Pretendo fazer artes cênicas, pois depois do vídeo percebi que atuar é o que gosto, inclusive já fiz algumas peças e é isso. Vou retornar com o canal, mas nada definido do que será”, finaliza.