Diário do Nordeste Plus

Intercâmbio: conheça as opções de programas

Países como Estados Unidos e Canadá são os mais procurados pelos cearenses, de acordo com agências locais

Aprender outra língua, vivenciar outra cultura, se especializar em um tema ou até mesmo fazer novos amigos. São várias as motivações de quem se programa para fazer um intercâmbio. Em tempos de crise, no entanto, muitos se sentem frustrados e deixam o sonho de lado. No entanto, é possível, sim, colocar seus projetos em prática. Thaís Sousa, gerente da IE intercâmbio de Fortaleza, explica que países como África do Sul, Canadá, Irlanda e Malta são os destinos mais “em conta” para os futuros intercambistas. Duas semanas é o mínimo que o estudante tem que passar no local.

“No entanto, a dica é viajar para um destino que a pessoa se identifica com relação ao clima, idioma, cultura, etc. O interessante é tirar todas as dúvidas sobre o destino, tipos de acomodação, formas de pagamento, visto, etc, antes de viajar”, aconselha.

“A experiência de intercâmbio traz inúmeros benefícios. Além de aprender um novo idioma, o aluno conhece novas pessoas e faz amizades. Aprende sobre a cultura do local e passa a entender e respeitar as diferenças. O aluno se torna mais autoconfiante, responsável, independente e também amadurece bastante com a experiência. É muito bom para potencializar o currículo, pois várias empresas valorizam profissionais que já tiveram a experiência”, destaca ainda Thaís, que revela que os destinos mais procurados pelos cearenses são Estados Unidos e Canadá.

Márcia Fernandes, da STB Fortaleza, confirma que as cidades americanas e canadenses são as mais procuradas como destino de viagem dos cearenses. No entanto, frisa que a Austrália também tem ganhado o coração dos intercambistas. “Estamos vendo muitos brasileiros buscando por oportunidades de estudo e trabalho ou até mesmo uma especialização no exterior para que, ao regressarem para o Brasil, possam ter uma melhor oportunidade na carreira. Com isso temos observado uma variação maior na procura de destinos, inclusive a Inglaterra voltou a entrar em foco por conta da queda da moeda”.

Márcia Fernandes, da STB, reforça que escolas parceiras oferecem descontos de até 45% para alunos brasileiros Foto: Arquivo pessoal

De olho na crise que os brasileiros enfrentam, ela explica que escolas parceiras tentam se adaptar ao momento lançando promoções. “O que torna as opções de intercâmbio mais atrativas para o mercado. As escolas dão descontos de até 45%. A dica que damos para quem está planejando uma viagem é dar importância ao serviço prestado, afinal de contas o intercâmbio é uma experiência e não um produto tangível. O ideal é que se planeje com pelo menos 6 meses de antecedência, pois alguns países exigem visto”.

Uma tendência que Márcia aponta que tem crescido entre os interessados em viagens é a busca do intercâmbio em família. “Acreditamos que o brasileiro está amadurecendo cada vez mais a importância de se ter uma experiência no exterior”.

Roberto Welton aproveitou as férias da faculdade para fazer um curso de inglês em Toronto, no Canadá Foto: Arquivo pessoal

Roberto Welton, de 23 anos, aproveitou as férias da faculdade de medicina e embarcou para Toronto, no Canadá, para sua primeira experiência de intercâmbio. “Estou terminando medicina e, como só tenho férias uma vez por ano, decidi que queria aproveitar de forma diferente. Alguns amigos já tinham feito um curso de inglês no exterior e decidi fazer. Meus pais apoiaram meu desejo”, contou o estudante.

Ele decidiu ficar um mês na cidade e disse que a adaptação foi fácil, apesar de a cultura canadense ser diferente da brasileira. “A escola recebe a gente de uma forma que, no primeiro dia de aula, todo mundo já vira amigo. Eu fiquei hospedado durante esse período em uma casa de estudantes e fiz vários amigos. Dividi o quarto com outra pessoa, que conheci quando cheguei lá”.

O estudante explicou ainda que a escola disponibiliza opções de excursões para os alunos conhecerem outros destinos durante o fim de semana. “Fui para Chicago (EUA), por exemplo, mas a viagem mais especial foi conhecer a parte francesa do Canadá. A cultura é muito diferente. É como se a gente tivesse andando na estrada nos Estados Unidos e, de repente, mudasse para a Europa”.

Roberto frisa que quem estiver pensando em fazer um intercâmbio nos próximos meses “vá sem medo”, pois a experiência é única. “Mesmo se você não saiba falar inglês. Eu tinha feito um curso no Brasil, então fiquei em uma classe com nível mais avançado. Tenho muita vontade de fazer outro intercâmbio. Inclusive, com os amigos que fiz lá, estou programando outro para os próximos anos. Fiz muita amizade com brasileiros”.

Programa High School

Alessandra Fante posa ao lado das duas melhores amigas durante o intercâmbio: Katie Taylor, à esquerda, e Johanna Nilsson, à direta. O trio tinha aulas e jogava rugby juntas Foto: Arquivo pessoal

Alessandra Fante, de 17 anos, começou a planejar o intercâmbio com seis meses de antecedência. Com a ajuda dos pais, escolheu o programa de High School e teve a oportunidade de cursar um ano do ensino médio em South Bend, no estado de Indiana, nos Estados Unidos. A vontade de morar fora vem desde pequena e foi influenciada, em parte, pela família da adolescente.

“Eu tenho um tio que fez em Minnesota (EUA) e ele sempre falava para mim da experiência. A minha mãe também sempre quis fazer, então me incentivava muito. O meu pai acha muito importante a formação do inglês, até para eu ter um currículo melhor. Em janeiro de 2015 fomos ver as opções de cursos. Como eu escolhi o High School, que é um programa em uma escola pública americana, não pude escolher a cidade que eu ia, nem a família com quem ia ficar. Você faz um cadastro na agência do Brasil com suas fotos, informações, etc, e manda para uma agência nos Estados Unidos. Quando chega lá, os coordenadores americanos ficam responsáveis por encontrar uma família para o estudante. Quando chegou a aprovação, descobri que ia para South Bend, que fica bem próximo de Michigan”.

Ainda no Brasil, a adolescente demorou três meses para descobrir a casa de família que ia ficar. No início, morou em uma residência somente com a host mother (mãe que a recebe na viagem) e uma irmã da China. No entanto, após os três primeiros meses, teve que mudar de habitação. “Minha mãe se dividia em dois empregos e pediu desculpas pois não poderia mais nos hospedar. Tive sorte pois ela era coordenadora do programa de intercâmbio nos Estados Unidos e me apoiou muito. Tive muito suporte dela e da STB. Perguntei aos meus amigos da escola se a família deles poderia me receber e uma amiga, da aula de culinária, por sorte, disse que sim. Nessa nova casa, meus pais estavam no segundo casamento, cada um tinha três filhos das respectivas relações anteriores. Eles era muito legais, tivemos uma convivência maravilhosa. Meus avós, pais do meu pai, eram alemães e moravam na casa ao lado e sempre me chamavam para cozinhar biscoito. A adaptação foi muito rápida, todos gostaram de mim e criamos uma conexão muito forte. Até hoje nos falamos pelo Facetime”.

Alessandra conta que estudou em uma escola de dois mil alunos e, no início, não foi fácil fazer amizades. “Eles cumprimentam, mas não chegam para fazer amizade. Eu era senior, que é o último ano do High School, então quase todos os alunos já tinham seus grupos de amigos, porque estudavam juntos há anos”. Foi quando conheceu Johanna, uma intercambista da Suécia que estava na mesma situação que ela, que as coisas melhoraram. As duas ficaram amigas de uma americana, Katie, que tinha se mudado de um escola particular para o colégio público. “Conheci a Katie na aula de anatomia. Foi ela que abriu as portas pra mim, me apresentou aos seus amigos e ao rugby. Se não fosse por ela, meu intercâmbio não teria sido tão bom”.

Fazer um esporte durante o intercâmbio, aliás, é uma dica da jovem para se enturmar com os colegas da escola. “Quando você treina todos os dias, as pessoas se tornam seus melhores amigos. Seja aberto, converse com as pessoas, não tenha medo de interagir. Ajude sua host family com o que eles precisarem. Na escola, escolha aulas que você nunca teria no Brasil. Por exemplo, eu fazia História dos Estados Unidos, Anatomia, Fotografia, Culinária e Cerâmica. Outra dica é comparecer aos eventos do colégio”.

Alessandra posa na foto ao lado do time de rugby: “É um esporte ainda não tão popular, mas é bem similar ao futebol americano e está nas olimpíadas. O time virou uma família” Foto: Arquivo pessoal

Além de ter aprendido a falar inglês fluentemente, Alessandra destaca outros benefícios importantes que a experiência lhe trouxe. “É como se você vivesse uma vida diferente. Você cresce como pessoa, amadurece, passa por dificuldades sozinhas e aprende a se virar, além de conhecer pessoas e culturas que você nunca imaginou. Viajei para Chicago e Seattle. É inesquecível. Quando eu tiver mais velha, na faculdade, pretendo fazer outro intercâmbio, dessa vez na Europa”.

Alessandra ainda destacou a experiência do irmão, Henrique Fante, que viajou para a Austrália em janeiro de 2015 e agora se prepara para entrar na faculdade de engenharia. “Inicialmente ele foi pra aprofundar o inglês e trabalhar. No começo, morou em Brisbane e se mudou mês passado para uma cidade menor, Gladstone. O meu irmão mudou muito desde que viajou. O intercâmbio faz com que a pessoa cresça e pense de forma diferente”.

Para qualquer idade

Aos 39 anos, Paulo Santana vive sua quarta experiência como intercambista. Em 2011, morou três semanas em Londres e, dois anos depois, passou um mês e meio em Nova Iorque. Em 2015, viveu oito semanas em Boston, onde fez um preparatório para o TOEFL, prova de proficiência em inglês acadêmico, e um curso de negócios na Universidade de Boston. Há um mês em San Diego, ele reforça que morar no exterior durante certo período é valioso em qualquer idade.

“Meu objetivo agora é aplicar para um curso de 12 a 18 meses em uma universidade americana. Comecei a trabalhar com 19 anos e desde então nunca houve uma janela de oportunidade. Os cursos que fiz anteriormente sempre foram gozando as férias do trabalho. Dessa vez, tive a oportunidade de parar minha carreira para um curso mais longo, com maior imersão”.

“Minha recomendação aos pais, quando possível, é enviar os filhos para um intercâmbio após a metade da faculdade. Desta forma, o aprendizado se torna útil de várias formas. Caso o filho queira aplicar para uma pós-graduação no exterior logo após a formatura, o domínio na língua estrangeira é um pré-requisito. Mas caso a intenção seja iniciar a carreira no mercado de trabalho após a formatura ou ainda na faculdade, novamente a fluência em um idioma estrangeiro será sempre um diferencial importante. Portanto, recomendo muito a experiência”, complementa.

Paulo indica que quem está se preparando para fazer sua primeira viagem pesquise sobre a cidade que pretende morar. “Por exemplo, para jovens que gostam de praticar esportes e são mais extrovertidos e comunicativos, a Califórnia é o lugar ideal. Cidades como San Diego e Santa Barbara possuem muitas praias com opções para surfar, velejar e praticar esportes. Os californianos são muito comunicativos e amigáveis com os estrangeiros. Mas, se opção for estar mais focado nos estudos, a cidade ideal é Boston. No verão é terrivelmente quente e no inverno muito frio. Isto favorece as bibliotecas que estão sempre abarrotadas de alunos estudando. Boston possui a maior concentração urbana de faculdades dos EUA, além de grandes universidades como Harvard, MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e a Universidade de Boston”.

Um dos momentos mais especiais vivido por ele durante um intercâmbio foi a despedida dos amigos em Nova Iorque. “Nos reunimos em um restaurante e trocamos presentes e batemos muitas fotos. Na nossa turma tínhamos colegas da Arábia Saudita, Itália, Alemanha, Rússia, Taiwan, Japão, Turquia e da China. É muito interessante percebermos que apesar das enormes diferenças religiosas e culturais, o sentimento de amizade não tem fronteiras”.

Serviço

CI
Av. Santos Dumont, 2626, loja 6, Aldeota
Contato: (85) 3268.3844

IE Intercâmbio
Shopping Via Center: Av. Padre Antônio Tomás, 2080, Aldeota
Contato: (85) 3264.0761

STB
Av. Barão de Studart, 1501, Aldeota
Contato: (85) 3021.1144