Na edição de hoje vamos mostrar quem são os mórmons, como atuam e de onde são e de onde surgiram. Também iremos descobrir como alcançar a paz com os budistas. Os mistérios do espiritismo serão revelados e, por fim, veremos as diferenças do candomblé e da umbanda e os preconceitos que os seus seguidores sofrem. Siga conosco nessa viagem de espiritualidade.

Mórmons: Os santos dos últimos dias

Mórmons percorrem as ruas dos bairros da Capital
Mórmons percorrem as ruas dos bairros da Capital - Foto: João Neto

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias está presente em mais de 180 países. Ela é a que mais cresce no Brasil, onde já é duas vezes maior que o candomblé e dez vezes maior que o Judaísmo. Nasceu da visão profética de um adolescente nova-iorquino chamado Joseph Smith no começo do século 19. A ele teria sido revelado que Jesus Cristo ressuscitou na América do Norte. A bíblia dos mórmons é maior do que a dos demais cristãos. Ela foi acrescida do livro de Mórmon, o que valeu a eles décadas de intolerância e perseguição.

Igreja dos Santos dos Últimos Dias no Bairro de Fátima, em Fortaleza
Igreja dos Santos dos Últimos Dias no Bairro de Fátima, em Fortaleza. Foto: Érika Fonseca

A religião está presente em mais de 180 países.

Salt Lake City, capital do Estado de Utah, é uma obra mórmon. A sede da igreja está situada no centro geográfico da cidade. A Praça do Templo é uma espécie de vaticano dos mórmons. Não é difícil distinguir os membros da religião que se dizem santos. As moças se vestem com muita discrição. Eles cultuam a virgindade até o casamento e não podem namorar enquanto estão servindo a igreja no trabalho voluntário das missões. O norte-americano Élder Canoy, 21 anos, nasceu em Dallas, terceira maior cidade do Estado americano do Texas e se voluntariou a percorrer a Capital cearense tendo como deveres ensinar, explicar, incentivar, batizar e zelar pela igreja. “Nossa missão é evangelizar e compartilhar a mensagem com todas as pessoas. Saímos para realizar nosso propósito que é de ajudar os seres a estarem mais perto de Jesus, sem distinção de cor, raça ou gênero” ressalta.

Os Santos dos Últimos Dias acreditam que as famílias são eternas e, por isso, mantêm um registro no Centro de História da Família, acessível pelo site FamilySearch.org. É um serviço aberto a toda a população e muito utilizado pelos membros da Igreja - há cerca de 315 centros de pesquisa familiar no Brasil. Caso desejem descobrir a origem do seu sobrenome, cultura, tradições e por onde andaram seus familiares, mesmo os mais distantes, é possível localizá-los pela sua árvore genealógica.

Hierarquia da Igreja Mórmon

Presidente

Thomas S. Monson. Ele é auxiliado por dois conselheiros — Henry B. Eyring e Dieter F. Uchtdorf. Juntos, eles compõem a Primeira Presidência da Igreja (de modo bastante semelhante a Pedro, Tiago e João, após a morte de Cristo).

Doze Apóstolos

A Igreja é comandada pelos 12 Apóstolos, escolhidos pelo presidente. O mais velho deles é seu sucessor natural.

Quórum dos 70

Autoridades responsáveis em cada região do mundo em que a Igreja atua.

No Brasil, a estimativa é que exista 1,1 milhão de fiéis. Há mais de mil capelas da igreja em todos os estados da nação e 7 templos que estão em São Paulo, Recife, Porto Alegre, Campinas, Curitiba, Manaus e Fortaleza.

A Igreja desenvolve em vários países diversas ações humanitárias e possui um dos maiores centros de ajuda humanitária do mundo, como a doação de cadeiras de rodas, entre outros serviços. Também desenvolve o Programa “Mãos que Ajudam”. No Brasil, são centenas de ações comunitárias realizadas anualmente.

A Rotina dos mórmons

A rotina do norte-americano Élder Canoy e do peruano Élder Cruz é regrada pela Igreja de segunda a domingo, de 6h30 às 21h. Na segunda-feira, os jovens utilizam o dia para realizar faxina em casa, compras e outras atividades livres. De terça a sábado, ambos acordam às 6h30. Tomam desjejum, mas sem café, pois segundo o livro a “Palavra de Sabedoria” da Igreja, Deus condena o consumo de café e chá preto, mantendo o corpo saudável e forte. Das 8h às 10h, ambos realizam estudos bíblicos, voltados para discussão sobre a palavra e a ressurreição de Cristo.

Uniformizados com blusas e calças sociais, gravata, placa de identificação no peito e com uma bolsa cheia de informativos, os jovens membros da Igreja, servem uma missão de tempo integral por dois anos, levando aos cearenses inicialmente, como eles acreditam ser, a verdadeira igreja e a chamada expiação do evangelho de Jesus Cristo, sacrifício que Jesus Cristo fez para ajudar-nos a vencer o pecado, a adversidade e a morte.

A Rotina dos mórmons
Os missionários são atendidos na maioria das vezes por jovens da mesma idade, o que facilita a comunicação e troca de experiência. Foto: João Neto

Batendo de porta em porta, como se fossem vendedores, Canoy e Cruz, pedem espaço e tempo do fortalezense para escutar, mesmo que por alguns minutos, a palavra de ressurreição e salvação. Em dias de sol e chuva, a peregrinação ocorre normalmente pelos bairros do Benfica, Bom Futuro, Damas, Jardim América e Montese. Treinados pela Igreja a responder aos mais diversos questionamentos dos brasileiros, explicam através do “O livro de Mórmon”, que a expiação foi o sacrifício da morte e o sofrimento de Jesus Cristo pelos pecados de todos os seres humanos que haviam vivido ou que ainda viverão na Terra.

Ambos falam um português carregado no sotaque espanhol e no inglês, mas compreensível para os cearenses. Eles aprendem o idioma logo na chegada ao Brasil, na cidade de São Paulo, em um Centro de Treinamento, onde os jovens aprendem a realizar o chamado proselitismo, ou seja, a doutrinação religiosa. “Fazemos a evangelização e compartilhamos a mensagem com todas as pessoas. Saímos para realizar nosso propósito que é de ajuda os seres a estarem mais perto de Jesus, sem distinção de cor, raça ou gênero”, conta o peruano.

Budismo: A paz que vem de dentro

Budismo: A paz que vem de dentro
Monja budista Gen Kelsen Zangmo - Foto: Erika Fonseca

A busca pelo bem-estar, autoconhecimento e paz interior. Assim se caracteriza o budismo, filosofia de origem oriental, constituída há aproximadamente seis séculos antes de Cristo. Atualmente, cerca de 400 milhões de adeptos integram a quinta maior religião do mundo.

Segundo a lenda, o jovem príncipe Sidarta Gautama, que viveu entre 563 e 483 a.C. no Nepal, abriu mão da fortuna e do seu reino para viver como andarilho em busca do autoconhecimento. Depois de trilhar os caminhos mais escuros de sua mente, o jovem encontrou a sabedoria plena e transformou-se em um ser iluminado.

A monja budista Gen Kelsen Zangmo, responsável pelo templo budista Kadampa Bodhisattva, explica que “Buda não é um nome, mas uma condição ou estado de pleno desenvolvimento espiritual, a Iluminação”.

Diferente de outras religiões, no budismo não existe um Deus, culto a divindades, liturgias ou livro sagrado. Para Zangmo, o objetivo principal é fazer com que cada um liberte a mente do sofrimento e encontre a felicidade. “O budismo é um caminho espiritual. Um caminho capaz de te levar da sua maneira de ser atual para uma nova qualidade comomente e pessoa. A palavra-chave é a autotransformação. Eliminar seus defeitos, ilusões, distorções mentais, percepções errôneas, e, adquirir sabedoria, bondade e paz interior”, esclarece.

“Buda não é um nome, mas uma condição ou estado de pleno desenvolvimento espiritual, a Iluminação”, monja Gen Kelsen Zangmo

Os ensinamentos de Buda devem ser encarados como uma orientação para perceber a impermanência de tudo o que existe e, desse modo, a lidar melhor com as transformações, doenças e perdas. Combinando práticas eficazes, como a meditação, com uma ética que engloba o respeito a si mesmo, aos outros e a todos os seres vivos, o budismo oferece a seus seguidores a perspetiva de superação do sofrimento.

Budismo: A paz que vem de dentro
Monja budista Gen Kelsen Zangmo - Foto: Erika Fonseca

De uma forma bastante peculiar, o budismo incentiva as experiências dos ensinamentos. Não basta acreditar porque é tradição, porque está escrito nos livros ou porque é reconfortante. “Tudo o que Buda ensina é sujeito à experiência pessoal. Os ensinamentos são como hipóteses que você as coloca em prática para verificar sua utilidade e veracidade”, afirma Zangmo.

O principal ensinamento do budismo está concentrado no que é chamado de “As Quatro Nobres Verdades”, sendo que a última delas se desdobra no “Nobre Caminho Óctuplo”, uma prática de oito passos para conduzir as pessoas à felicidade. Elas foram apresentadas por Buda logo depois de sua iluminação. Buda acreditava que o homem deve evitar os extremos da vida. Não se deve viver nem no prazer extravagante, nem na autonegação exagerada.

Meditação: um remédio para os males da alma

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Pulmão

O ritmo diminui, o que é importante para o controle mental, uma vez que especialistas em estresse costumam chamar a respiração de “termômetro das emoções”.

Coração

A frequência cardíaca baixa. Com o coração menos acelerado diminui as chances de se desenvolver arritmias ou taquicardias.

Pressão arterial

Pressão arterial baixa. Reduz o risco de hipertensão, que compromete o funcionamento de órgãos como cérebro, coração e rins.

Cérebro

A atividade mental tende a baixar de ondas betas, relacionadas ao raciocínio e à lógica, para ondas alfa, ligadas ao relaxamento.

Metabolismo

O sistema metabólico, ligado ao funcionamento do organismo e às doenças como obesidade tendem a funcionar melhor.

Para Zangmo os ensinamentos de Buda são adequados para todos os tempos e a meditação é uma ferramenta eficaz para alcançar paz e felicidade suprema. “Todo budista deverá aplicar o esforço correto para trilhar o caminho do meio, ficando longe de radicalismos, de pontos de vistas extremos e errôneos, vivendo conforme o conselho de Buda: se esticarmos demais as cordas do violão elas arrebentarão, e se as deixarmos frouxas, elas não produzirão o som adequado. O ideal está no meio-termo, na medida correta das coisas”. completa.

As palavras de Zangmo reafirmam o conceito budista em não praticar o proselitismo. “O budismo é um desafio pessoal. É preciso, antes de mais nada, interesse e motivação. Só você pode treinar sua mente, eliminar ilusões e cultivar amor e sabedoria. Não haveria sentido forçar alguém a se autotransformar”, conclui a monja.

Espiritismo: caminhos da evolução do corpo e do espírito

Grupo espírita Bezerra de Menezes
Grupo espírita Bezerra de Menezes - Foto: Jessyca Rodrigues

O termo espiritismo surgiu como um neologismo, criado pelo pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, sob o pseudônimo de “Allan Kardec”, para nomear especificamente o corpo de ideias por ele sistematizadas inicialmente em “O Livro dos Espíritos” (1857). Para entender o Espiritismo, é preciso saber que a base de toda a religião está exposta nas cinco obras de Allan Kardec. Desde esse nascimento na França oitocentista, o Espiritismo reivindica não apenas um status de religião, mas também de ciência e de filosofia. Ou seja: é uma fé e uma doutrina cujas manifestações – contato com espíritos, regressões a vidas passadas e textos psicografados – poderiam ser comprovadas através do método dedutivo herdado da ciência.

Sua principal característica é a crença em que os mortos são fonte de ensinamento para os homens, além da divisão dos espíritos em imperfeitos, bons e puros.

No Brasil, o espiritismo começou a ganhar força a partir do ano de 1884, com a criação da Federação. Espírita Brasileira, cujo trabalho era expandir as práticas do espiritismo. Um dos pioneiros da nova prática religiosa foi Bezerra de Menezes, que, ao converter-se à nova crença, acreditava estar vivenciando o ápice da fé cristã. Essa figura histórica do espiritismo brasileiro abraçou a nova religião, influenciado pela vivência com o médium João Gonçalves do Nascimento, que praticava curas na cidade do Rio de Janeiro.

Grupo espírita Bezerra de Menezes
Grupo espírita Bezerra de Menezes - Foto: Jessyca Rodrigues

Em linhas gerais, o espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos e o mundo corporal. Cada pessoa é um ser/espírito de luz em busca de evolução. O corpo é apenas uma veste necessária para vivermos. "Assim como a natureza, nós, seres humanos, evoluímos. A grande questão é: se você deduz que, se existe evolução física, corporal, não haveria uma evolução da alma? A reencarnação entra ai! Ela é o meio pelo qual o psiquismo, a alma volta à experiência corpórea através do nascimento, quantas vezes foram necessárias para que ela progrida", afirma Luciano Klein, vice-presidente da Federação Espírita do Estado do Ceará.

De acordo com Luciano Klein, o que você faz durante a vida vai refletir na sua evolução. “É a causa e efeito. Não quer dizer que, se você errou, você deve pagar com sofrimento. Dependendo da forma como você vive, usa o seu livre arbítrio, você pode pegar atalhos para um caminho de mais progresso. O importante é sempre estar atento às suas ações. Nós somos passíveis de erros, mas temos a consciência do que é bom. A caridade, o perdão, o amor, a humildade são bons caminhos”, destaca Luciano.

Grupo espírita Bezerra de Menezes
Voluntários do grupo espírita Casa da Sopa - Foto: Bruno Gomes

Segundo o Espiritismo, todo homem é um médium, um canal de comunicação entre os vivos e os espíritos. Por isso, não existe um papa espírita nem qualquer tipo de hierarquia dentro da religião (a ausência de paramentos e cerimoniais também é uma característica “racionalista” dentro da fé espírita). Nos centros espíritas, por exemplo, a função de liderança geralmente está reservada ao médium mais experiente ou ao próprio fundador do centro.

A simplicidade pregada pelo Espiritismo também estaria explicitada pela inexistência de grandes rituais de passagem como casamentos, batismos e enterros.

Espiritismo no cinema

Apesar de ter surgido na França, o Brasil é referência no campo espírita. De acordo com o último dado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e estatística, existem 3,8 milhões de espíritas no País. A influência da doutrina é percebida em vários campos. Entre eles, o cinema. Filmes como “Nosso Lar” (lançado em 2013), “Chico Chavier” (que conta a trajetória do maior médium brasileiro de todos os tempos) ganharam as telas das principais salas do País.

De acordo com o cineasta Glauber Paiva, diretor e roteirista das produções “Bezerra de Menezes” e “As Mães de Chico”, ambos de grande repercussão nas telonas, o sucesso de filmes espíritas no Brasil se deve a grande identificação do público. “A cultura brasileira é mística, ela mistura as formas de espiritualidade, então, ao mesmo tempo que você tem um católico, ele está em casa ascendo um incenso, ele está lendo o horóscopo. Então, tem uma coisa do brasileiro que, ao mesmo tempo que ele tem a miscigenação do ponto de vista racial, tem da sua religiosidade, da sua mistura”, destaca.

Umbanda e Candomblé: crenças de matriz africana

“As transformações importantes a nossa vida sempre são acompanhadas de algum tipo de sofrimento”.
Tempo de Umbanda Cantuá dos Orixá
Tempo de Umbanda Cantuá dos Orixá - Foto: Lucas de Menezes

Macumba, terreiro, gira, Exu. Palavras simples, mas carregadas de preconceito por estarem diretamente relacionadas a religiões de origem africana. Macumba é um termo pejorativo criado no início do século XX, no Rio de Janeiro, usado para denominar as religiões de matriz africana. Na verdade, a macumba nada mais é do que um instrumento de percussão confeccionado com a madeira da árvore de mesmo nome. Terreiro pode ser definido como um centro espiritual onde acontecem as giras, as cerimônias de Candomblé e Umbanda. Exu, por sua vez, é o nome dado às divindades dessas culturas religiosas.

Embora marginalizada por parte da sociedade, as tradições africanas já fazem parte da cultura brasileira. Mesmo sem um mapeamento oficial sobre a religião, estima-se que existam mais de 10 mil terreiros, com aproximadamente 60 frequentadores em cada, apenas no Ceará.

  • Oxalá

    OxaláÉ o Grande Orixá, o criador do homem, senhor do princípio da vida, da respiração e do ar. Castigado por Exu ao lhe recusar uma oferenda, bebeu muito e não pôde criar o mundo. Restou a ele criar os humanos. Embriagado, modelou seres distintos, dando origem à diversidade.

  • Exu

    ExuMensageiro entre orixás e humanos, foi incumbido de receber numa encruzilhada os presentes de Oxalá, enquanto ele criava o homem. Não executa pedidos sem algo em troca. Tem personalidade vingativa, que o fez ser associado ao demônio cristão por missionários europeus.

  • Ogum

    OgumDeus da guerra e dos caminhos e da tecnologia. Dono do segredo da forja, que cria instrumentos mais resistentes para a agricultura e lanças para caçadores e guerreiros. Além da enxada, seu símbolo é a espada, que o fez ser ligado aos católicos Santo Antônio e São Jorge.

  • Xangô

    XangôGovernador da justiça, foi um dos primeiros reis da cidade de Oió. Geralmente, quem o incorpora usa uma coroa, demonstrando seu nobre posto. É o patrono das religiões dos orixás no Brasil e marido de Iansã, Obá e Oxum, deusas de rios africanos.

  • Oxóssi

    OxóssiOrixá das florestas. Na África, teria sido rei de Ketu, cuja população foi destruída pelos inimigos jejes. Por isso, sobreviveu apenas no Brasil, onde é padroeiro dos ketus. Segura arco e flecha e dança como se estivesse caçando. Em alguns mitos é irmão de Ogum.

  • Iemanjá

    IemanjáSenhora das águas, tem o culto ligado ao rio Níger, na África, onde também é celebrada entre as divindades femininas primordiais. É mãe dos orixás porque ajudou a criar e povoar a Terra. Em sua festa, dia 2 de fevereiro, devotos oferecem flores e presentes ao mar.

  • Omulu

    OmuluSenhor da peste, conhece segredos e curas. Por ter no corpo as marcas da varíola, uma das doenças a que os escravos foram expostos, tem sincretismo com São Lázaro, cujo corpo também é coberto de chagas. Nos ritos, sacode o xaxará, que guarda seus remédios.

  • Iansã

    IansãDeusa da sensualidade feminina, dirige o vento e as tempestades. Seu nome significa “mãe nove vezes” e, segundo o mito, fez uma oferenda para conseguir ter a prole. Vendia dendê para sustentar os filhos. Outra lenda diz que teria sido uma princesa em Irá, no ano de 1450 a.C.

Ilustração: Lincoln Souza

A Umbanda é uma religião inserida na cultura brasileira e é estruturada moralmente pelos princípios da fraternidade, caridade e respeito ao próximo. Admite um deus chamado Zambi, que é o criador de tudo e de todos. Seus adeptos, chamados de “umbandistas” ou também de “filhos de fé”, cultuam divindades denominadas Orixás e reverenciam espíritos chamados Guias. Sua orientação espiritual ou doutrinária é feita pelos Guias – espíritos que atuam na Umbanda sob uma determinada linha de trabalho que, por sua vez, está ligada diretamente a um determinado Orixá.

Os guias têm consciência da natureza humana e os atributos para que essa humanidade possa evoluir e seguir por um caminho melhor. Eles se manifestam através da mediunidade dos médiuns, sendo a prática da incorporação a matriz do trabalho deles – ato pelo qual uma pessoa médium, inconsciente, consciente ou semiconsciente, permite que espíritos falem através de seu corpo físico e mental.

Leno Faria
Leno Faria - Foto: Rui Nóbrega

Leno Faria, 42, ou mais precisamente, Ogan Otun Alagbê Leno Faria é candomblecista e historiador. Na academia, ele estuda cultura e religião popular, mas no candomblé, ele é ogan, pessoa responsável por cuidar dos orixás e chamá-los através do toque do tambor e do canto.

“Nós não sacrificamos, nós sacralizamos a vida daquele animal para transmitir o elemento vital para o divino, que é a terra e alimentar a comunidade com a carne dele”, Leno Faria, candomblecista e historiador

O historiador conta que a tradição religiosa africana na família vem desde o bisavô, que era mestre curador, passando pela mãe, uma sacerdotisa de catimbó, chegando a ele e ao irmão que ingressaram no candomblé juntamente com a esposa e os filhos. “Eu sou de alaketu, minha raiz é cantuá e sou filho de Ilê Axé Omindá (casa de força por onde passam as águas que Oxum me deu)”, conta Leno que também explica que na religião a questão da tradição é muito forte, bem como a ancestralidade e o processo hierárquico. “Por isso de matriz africana, porque a gente tem uma referência que vem da África”, esclarece.

Segundo o Ogan, as religiões de tradição africana, embora preguem o respeito a todas as formas de crenças, constantemente são alvos de preconceito gerados, principalmente, pela falta de informação e dados errôneos, como na questão do “sacrifício” animal. “Nós não sacrificamos, nós sacralizamos a vida daquele animal para transmitir o elemento vital para o divino, que é a terra e alimentar a comunidade com a carne dele. Tiramos a vida do animal porque ele nos permite, dentro da nossa cosmovisão (mediante permissão do oráculo), e nos alimentamos dela”, justifica.

Dona Neide
Dona Neide - Foto: Lucas de Menezes

O Candomblé é uma religião originária da África, trazida ao Brasil pelos africanos escravizados na época da colonização brasileira. Os Orixás são arquétipos de uma atividade ou função e representam as forças que controlam a natureza e seus fenômenos, tais como a água, o vento, as florestas, os raios etc. Candomblé é uma religião monoteísta, embora alguns defendam que cultuam vários deuses.

Existem no Candomblé algumas vertentes conhecidas como nações e em cada uma delas seu deus único recebe diferentes nomenclaturas: Olorum para a nação Ketu, Zambi para a Bantu e Mawu para a Jeje. Elas são independentes na prática diária e, em virtude do sincretismo existente no Brasil, a maioria dos seguidores considera como sendo o mesmo Deus da Igreja Católica.

"A dúpé Mojubá", que significa: agradeço a você apresentando meu humilde respeito

Cada Orixá tem um dia da semana a ele consagrado, sexta-feira é dia de Oxalá, a divindade da Criação, e branco é a sua cor. Ele é sincretizado com o Nosso Senhor do Bonfim, padroeiro da cidade do Salvador. O sincretismo entre o candomblé e a religião católica foi uma forma de defesa visando à preservação da religião proibida pelos escravocratas. Também é denominado candomblé o templo em que são realizados os ritos e cerimônias.

Maçonaria: A sociedade mais secreta do mundo

Sílvio Ribeiro, mestre maçonico
Sílvio Ribeiro, mestre maçonico - Foto: Bruno Gomes

Todo mundo já ouviu falar em Maçonaria pelo menos uma vez na vida. Seja nas aulas de História do colégio ou em rodas de conversa ou em livros e filmes sobre teorias da conspiração. O fato é que a organização habita e dá vida à imaginação de muitas pessoas, porém estas nem sempre se interessam em saber exatamente sobre o que se trata a instituição, muitas vezes por preconceito, ou acreditam em todos os mitos e suposições que a envolvem sem se preocuparem em verificar o que é verdade e o que é invenção.

“Maçom” vem do francês “franco-maçom” e significa “pedreiro livre”

De acordo com Alcides Araújo Bezerra, Grande Secretário de Ensino Maçônico da Grande Loja Maçônica do Estado do Ceará, o próprio nome utilizado pelos membros da irmandade dá uma forte dica sobre a história da organização. “Maçom” vem do francês “franco-maçom” e significa “pedreiro livre”. A ordem teve origem na Idade Média e funcionava como guildas (corporações de ofício) dos construtores civis. Foi assim que surgiu a “Maçonaria operativa”, uma corporação de pedreiros que tinham como segredo as técnicas de construção passadas para os membros da guilda: aprendizes, companheiros e mestres, hoje chamados de graus simbólicos da organização.

Loja maçonica
Loja maçonica - Foto: Bruno Gomes
Surge, em meados de 1717, em Londres, a “Maçonaria especulativa ou moderna”, na qual, ao invés de construir edifícios de pedra, passaram a erguer templos dentro de si, para se aperfeiçoar como homem através do estudo e do conhecimento

Com o passar dos anos e a decadência da profissão de construtor, as corporações começaram a aceitar intelectuais como membros da organização para não deixar que a mesma morresse. Desta forma surge, em meados de 1717, em Londres, a “Maçonaria especulativa ou moderna”, na qual, ao invés de construir edifícios de pedra, passaram a erguer templos dentro de si, para se aperfeiçoar como homem através do estudo e do conhecimento.

“Hoje, se a gente for definir Maçonaria, é bem difícil. Porque ela não é religião, mas é religiosa. Ela não é uma escola filosófica, mas pratica filosofia. Ela não é um partido político, mas influi na política. Ela é patriótica, mas também universal. Ela conserva a tradição, mas acompanha o progresso da sociedade”, explica o Grande Secretário. Ele esclarece que a Maçonaria pode ser considerada uma escola que tem como objetivo o crescimento do ser humano para o aperfeiçoamento da humanidade.

Alcides também fala que a ordem não se classifica mais como sociedade secreta, mas sim discreta. “O que é uma coisa secreta? É aquilo que ninguém sabe onde está e não sabe nem que existe. E todo mundo sabe onde fica a Maçonaria, temos estatuto publicado no Diário Oficial, registrado em cartório, endereço, um letreiro bem grande e até pessoas que não são maçons participam das atividades. A gente só não tem necessidade de divulgar aos quatro ventos o que é que a gente faz”, esclarece.

Rose Neide Santos - Foto: Bruno Gomes

A Maçonaria pode ser considerada uma grande família, uma vez que os maçons tratam a si mesmos como irmãos. Desta forma, as esposas são consideradas cunhadas e os filhos, sobrinhos uns dos outros.

A importância da família vai desde o ingresso na associação até a inclusão dos filhos e esposas dentro da ordem. Por exemplo: mesmo sendo aprovado pelos maçons, um homem só pode ingressar na Maçonaria se a esposa concordar. Depois, dentro da irmandade, as esposas são convidadas a fazerem parte do Clube das Samaritanas, organização comandada pela 1ª dama, esposa do Grão Mestre (presidente geral do Estado), que se “reúnem para se confraternizar, para planejar ações filantrópicas, ajudando aos mais necessitados”, explica Rose Neide Santos Rodrigues Ernandes, esposa de maçom e fundadora da Ordem da Estrela do Oriente no Ceará.

Maçons Ilustres no Brasil

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    Barão do Rio Branco
    (historiador e diplomata)

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    Bento Gonçalves
    (líder da Revolução Farroupilha)

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    Dom Pedro I
    (1º imperador do Brasil)

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    Duque de Caxias
    (patrono do Exército Brasileiro)

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    Frei Caneca
    (religioso e patriota)

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    Hipólito da Costa
    (Patriarca da Imprensa Brasileira)

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    Jânio da Silva Quadros
    (Presidente da República)

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    José Bonifácio de A. e Silva
    (Patriarca da Independência)

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    Mar. Deodoro da Fonseca
    (Proclamador da República)

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    Pixinguinha
    (compositor popular)