Diário do Nordeste Plus

Os nomes por trás dos sucessos do forró atual

Jota Reis, Dorgival Dantas, Juarez Pires (Jujuba) fazem músicas para os maiores cantores de forró e sertanejo do Brasil

Uma boa parte dos sucessos dos maiores artistas nacionais é sustentada pelos compositores. Aqueles hits tocados em rádios, televisões, shows e na internet são desenvolvidos depois de um extenso processo de criação. Para quem pensa que é fácil, os profissionais especializados na composição precisam estar o tempo todo atentos às mudanças de "estilo" dos consumidores do ritmo. Isso porque, as músicas devem acompanhar a renovação e amadurecimento do público.

Sucessos de cantores como Wesley Safadão passam, muitas vezes, pelas composições de pessoas sem tanto destaque na mídia, mas que são o coração das músicas que estouram nas rádios. Foto: JL Rosa

O forró passou por três grandes mudanças desde o seu surgimento. A música que ficou conhecida nacionalmente pela voz, sanfona, triângulo e zabumba do velho Luiz Gonzaga, deu espaço para contemporaneidade. Atualmente, os shows feitos por bandas, como Wesley Safadão, Aviões do Forró, Gusttavo Lima, Jorge e Mateus, Dorgival Dantas, Marília Mendonça, entre outros, são iguais às performances de artistas internacionais, como Scorpions, U2 e Maroon 5.

Os compositores têm investido numa roupagem diferente ao forró. Deixando aquela regionalidade no passado e pluralizando mais o ritmo com eletrônico, pop, axé, tecnobrega e etc.

Essas diversas transformações não fizeram com que os compositores abandonassem o passado. Ao contrário, os artistas compõem conforme pedem os cantores. Ou seja, eles se adaptam aos demais ritmos do forró, indo do baião, universitário ao estilizado.

Segundo os compositores, os valores para o desenvolvimento de um hit podem variar. Não depende dele, mas do gosto popular. Se o público não gostar, consequentemente não valerá muito. Agora se a música "estourar" pode ser o pote de ouro na vida de um artista. Isso porque, além do cachê que ele ganha para compor, ainda tem o ganho com os direitos autorais e distribuição.

ECAD

O Escritório Central de Arrecadação e Distribuição de Direitos Autorais (ECAD) é uma sociedade civil privada responsável pelo monitoramento e arrecadação dos direitos autorais de cada música tocada em locais públicos, inclusive, por meio da radiodifusão e transmissão através de qualquer modalidade cinematográfica no País. O órgão é formado pelo corpo de autores (compositores), editores musicais, intérpretes, músicos executantes e produtos fonográficos.

Ao todo, o ECAD possui 26 unidades de coletas, 780 funcionários e 42 escritórios de advocacia. Os colaboradores em maior número, são responsáveis por fiscalizar tudo o que é tocado em televisões, rádios e shows, como academias, aniversários, arraiás, consultórios, carros de som, terminais de transporte, festas de casamentos e até quermesses. Todos estes estabelecimentos precisam pagar mensalmente a instituição para que as músicas sejam transmitidas de forma legalmente.

Se algum estabelecimento não se associar ao ECAD, não efetuando o pagamento de retribuição autoral, acaba por não reembolsar o trabalho do compositor. Os locais que infringem a lei, são sujeitos à verificação, que poderá acarretar a interdição ou a suspensão da execução pública musical, bem como procedimentos judiciais nos âmbitos cíveis e criminais.

Da Aerolândia para o mundo

Jota Reis virou destaque quando uma música dele foi cantada por uma dupla sertaneja. Foto: Ítalo Ribeiro

É com a tag #DaAerolândiaparaomundo que o cearense Jota Reis se apresenta nas redes sociais. Nascido e criado em Fortaleza, começou a possuir contato com a música desde muito cedo, influenciado pelos seus familiares e até mesmo pelas particularidades do seu bairro.

Porém, se engana quem pensa que a sua paixão na infância foi o forró. O menino do Colégio Padre João Piamarta sempre ligava o rádio para ouvir samba e pagode. Foram esses ritmos mais afetuosos os responsáveis pela inspiração e os versos de suas canções.

A ligação com o forró veio tempos depois. Jota Reis um dia dormiu e acordou com uma canção completa na cabeça. Escreveu a música em uma agenda e depois gravou em um celular. Dias depois escreveu mais três e tomou gosto pela coisa. O compositor viu sua vida mudar depois que fez a canção Parede de Vidro, interpretada inicialmente pela banda Saia Rodada e regravada pela dupla Bruno e Marrone.

“Estava em uma concessionária comprando o meu primeiro carro quando um amigo me ligou e disse para eu ligar o rádio imediatamente porque a minha música não parava de tocar. Foi ali que eu percebi que minha vida começou a mudar”.

Depois do sucesso emplacado pela dubla sertaneja, Jota Reis ficou conhecido no Brasil inteiro e junto com alguns amigos, como Neto Barros, Conde Macedo, Cabeção do Forró, Raniere Mazille e Zé Hilton, formaram a Usina de Hits, ao qual são responsáveis por sucessos como "Camarote"; "Gelo na balada"; "Coração machucado"; "Parece que o vento", "Onde tem ódio tem amor"; "Só Freud explica", entre outras.

O poeta das canções

Dorgival Dantas começou a carreira aos 14 anos de idade. Foto: Reprodução do Facebook

Dorgival Dantas é sem dúvida um dos compositores mais consagrados do forró da contemporaneidade. O músico nascido em Olho D’água do Borges, município do Rio Grande do Norte, começou sua carreira aos 14 anos, compondo e cantando, por conta do seu pai, Cícero Dantas, que também era sanfoneiro.

Não se contentando apenas com o acordeom, Dorgival começou a se especializar em triângulo e tempos mais tarde no teclado. Foi justamente esse último instrumento que o levou a tocar no grupo “Show Terríveis”, com apenas 17 anos. Como tecladista da banda, o cantor e compositor conheceu a dupla Sirano e Sirino, ao qual o convidaram para trabalhar com eles nos shows.

Posteriormente fazer parte da dupla sertaneja, Dorgival Dantas começou a produzir e a compor para diversas bandas de forró e em 1999 foi convidado para ser um dos integrantes da banda Pirata, onde realizou diversas turnês pelo Brasil nos anos 2000.

O grupo foi o último onde Dorgival fez parte. Depois dele, o músico começou investir na carreira solo. Lançando seu primeiro trabalho, o "Homem do coração", em 2006. O CD fez um grande sucesso e depois dele vieram outros trabalhos, como "Primeiro passo" (2007); "Quanto custa" (2011); "Sanfona e voz" (2012) e "Simplesmente Dorgival" (2013).

Uma grande parte das músicas compostas nos seus álbuns foi elaborada pelo cantor, que virou referência quando assunto é música romântica. Fora sua carreira solo, o compositor ainda desenvolveu canções para outros artistas, como Aviões do Forró, Bruno e Marrone, Michel Teló, Alexandre Pires, Jorge e Mateus, César Menotti e Fabiano e etc. Além do mais, viu o Rei Roberto Carlos interpretar a música “Você não vale nada” tema da novela Caminho das índias, em um especial da TV Globo.

Jujuba Compositor

Jujuba teve a primeira música gravada em 2007. Foto: Thiago Gadelha

Juarez Pires Moura, conhecido no meio artístico como Jujuba, nasceu em Teresina, mas se mudou para a capital cearense com seis meses. O compositor teve seu primeiro contato com a música por meio dos primos Rodrigues e Ramires, atualmente cantores sertanejos.

Aos 13 anos empregado numa banda de forró como guitarrista, percebeu que os grupos locais tinham dificuldade em fazer letras e para adquirir canções de compositores renomados. Foi então que começou a levar mais a sério sua profissão, passou a estudar música diariamente e a escrever melodias até então como brincadeira.

Após anos criando e guardando as composições só para ele, viu em 2007 sua primeira música, “Final de semana” ser gravada por Forró Sexy, banda ao qual ele era guitarrista. Pouco tempo depois da gravação, outros cantores começaram a incluir a canção em seu repertório e o reconhecimento em definitivo veio depois que Wesley Safadão a regravou em seu CD.

Logo após o reconhecimento nacional, Jujuba não parou de compor. O artista continuou desenvolvendo outros sucessos, como “Roda o copo na cabeça”; “Carro pancadão”; “Eu era feio”, para Forró Estourado, Aviões do Forró e Wesley Safadão. Além desses cantores, o compositor começou a trabalhar para artistas de outros ritmos, tais como Alexandre Pires.

Segundo o compositor, o segredo dos seus sucessos não é nada demais. Ele simplesmente observa os pequenos gestos das pessoas no dia a dia e os atribuem em suas canções.