Diário do Nordeste Plus

Como montar um negócio de sucesso

Por mais que ainda estejamos atravessando uma crise, empreender não pode ser uma opção descartável, muito pelo contrário. Aqui vamos tentar te passar as melhores dicas para vencer nesta jornada.

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Abrir o próprio negócio, ser o próprio chefe e ter autonomia para fazer suas próprias regras é um sonho recorrente em muitos brasileiros. O caminho trilhado por empreendedores não é fácil, mas pode valer a pena e render bons frutos se o empreendedor souber tomar decisões.

Montar um negócio é o desejo de 28% dos brasileiros, ou seja, 38,5 milhões de pessoas, segundo pesquisa do Instituto Data Popular divulgada em 2015. Com 33%, o Nordeste é a segunda região do País com mais pessoas com vontade de empreender. Só ano passado, foram criadas 1.963.952 novas empresas no Brasil, conforme a Serasa Experian.

Só a vontade de empreender, no entanto, não é o suficiente para se montar e consolidar um negócio de sucesso. Diante da coragem de seguir o desafio, entre tantas recomendações, é importante ter em mente o que se quer atingir, tendo foco no negócio. Os empresários também devem apostar em divulgação, não ter medo de investir e, ao mesmo tempo, ter a consciência da necessidade de ser ter capital para financiar a continuidade das operações da empresa.

Além dos fatores internos, é preciso que não se esqueça dos percalços alheios ao controle de um empreendedor, como os reflexos da movimentação política que repercutem na economia do País. A ideia é não ser pego de surpresa com um turbulento cenário nacional como o atual.

O professor Rogério Nicolau de Barros, coordenador do Escritório de Gestão, Empreendedorismo e Sustentabilidade da Universidade de Fortaleza, aponta que muitas empresas enfrentam dificuldades e chegam a fechar rapidamente em razão da má gestão. Segundo ele, é necessário investir na profissionalização constante do atendimento e na qualidade do produto oferecido.

Outro fator determinante para a falência, conforme Nicolau, é a falta de capital de giro, aquele dinheiro que financia a continuidade das operações da empresa. O professor relata ser comum a falta de fôlego quando as vendas não saem como planejadas. “No geral, as pessoas começam a empresa e acham que está tudo certo, só que os profissionais não sabem separar o custo da empresa do gasto pessoal. O correto é dispor de uma quantidade para que não passe eventuais dificuldades”, alerta.

De acordo com Nicolau, o período para consolidação de uma empresa é variável e tem como fator preponderante o profissionalismo, observando a saúde financeira e produtos diferenciados. “Segundo a última pesquisa do Sebrae, são nos dois primeiros anos o período do nível de aceitação, tentando lidar com concorrência e se diferenciar. É o período mais crítico que requer mais atenção do dono acompanhando com a mão na massa”, afirma.



O professor detalha a relevância de se fazer uma análise dos custos do negócio visando identificar os valores para investimento inicial, compra de maquinário, custos fixos, calculando variáveis. O empreendedor não deve entrar no mercado sem fazer um estudo avaliando o comportamento do consumidor, dos concorrentes e a possibilidade de crescimento no segmento escolhido.

O professor avalia que qualquer pessoa pode fazer um negócio funcionar com êxito, tendo ou não a marca de empreendedor, por vocação natural para o comércio, pois na verdade o sucesso é alcançado com a perseverança de se desenvolver uma proposta de valor para o cliente.

“Qualquer pessoa pode fazer um negócio funcionar, essa marca empreendedor você tem vocação natural para o comércio, tem na família pessoas que trabalham em determinado segmento, isso não significa dizer que um leigo não possa aprender a administrar um negócio”, aponta.

Rogério Nicolau orienta que os empreendedores procurem informações online e por meio de entidades que prestam consultorias, como o Sebrae e o Escritório de Gestão Empreendedorismo e Sustentabilidade da Unifor.

“Apostar em coisas que se diferenciem diante da concorrência aguda para que a empresa consiga driblar as dificuldades inerentes a problemas ligados a fatores que empresários não têm controle, como política e economia”, disse.

Alice Mesquita, articuladora de atendimento do Sebrae, explica como montar um negócio e ter sucesso

Alice Mesquita, articuladora de atendimento do Sebrae, aponta que o Sebrae ajuda o empresário a identificar uma ideia e a transforme em modelo de negócio, passando a ter informações do mercado para elaborar um plano de negócios. Segundo ela, o Sebrae oferta uma série de oficinas e palestras agrupadas no programa Começar Bem.

“A gente tem como ajudar esse empresário desde a identificação da ideia como da viabilidade do negócio”, relata. O site do Sebrae conta com mais de 400 ideias de negócio.

De acordo com o articuladora de atendimento, entre os passos para se ter sucesso, o primeiro é identificar uma boa ideia a partir de uma oportunidade de negócio, seja focada dentro de habilidade ou em uma experiência empresarial do empreender. O segundo passo é a busca de informações do mercado, como público alvo, os principais concorrentes e fornecedores.

O empresário também deve conhecer o negócio, técnicas de gestão e produção, para saber como vai entregar o produto ou serviço para cliente. O quarto passo é o estimar o valor do investimento fixo para iniciar a operação e o valor do capital de giro para que a empresa possa funcionar nos primeiros meses. O empresário também não deve gastar além do necessário e ter um sócio pode ser importante em alguns casos.

“Tem muito empreendedor que não pensa em sócio, alguns negócios é importante que sejam feitos em sociedade por ter pontos positivos como compartilhar as decisões do negócio”, aponta.

Reinventando seu negócio

Hissa mudou a sua empresa para conseguir o sucesso atual Foto: Haroldo Saboia/Divulgação

A publicitária e proprietária da marca Catarina Mina, Celina Hissa, que trabalhava com artesanato há dez anos, conseguiu um crescimento de 70% no faturamento da empresa em um ano ao focar na produção de bolsas artesanais e apostando na divulgação dos custos detalhados para elaboração do produto. A marca trabalha com vendas no atacado e online para varejo. Foi a reinvenção do negócio de Hissa.

A empresária relata ter dado um novo rumo ao seu negócio em 2015, com a venda pela plataforma online e se diferenciando com a conversa sincera com o consumidor. Ela avalia que para um negócio ter sucesso é preciso levar algo novo ao mercado. “Somos a primeira marca do Brasil a abrir o custo das bolsas. Era um dilema trabalhar sustentavelmente sendo uma marca pequena e uma das formas que a gente achou de permanecer no mercado foi se reinventando, quebrando paradigmas”, destacou.

Publicitária, Celina conta ter se dedicado exclusivamente ao negócio apenas em 2010, no entanto, no início ainda faltava um foco no produto oferecido ao cliente. Ela chegou a produzir lancheiras e bolsas de tecido. “A questão de você ter um foco é muito importante, passar a dizer não, definir um caminho, ter coragem de fechar algumas portas na esperança que elas se abram lá na frente”, aconselhou.

Fechando parcerias com marcas famosas no País, ela ressalta que a Osklen foi a primeira grande parceria da Catarina Mina. Também foi fechado parceria com a mineira GIC Couture, marca usada recentemente pela cantora americana Beyoncé em um clipe. Em 2015, a Catarina Mina venceu, na categoria “Pessoas”, o Prêmio EcoEra Vogue Brasil, que reconhece empresas do mercado da moda que possuem práticas conscientes.

Como estratégia de divulgação, ela destaca que trabalhar com o envio de emails para tentar possíveis parcerias não gera resultados imediatos, contudo é uma excelente ferramenta a longo prazo. O auxílio das redes sociais Instagram e Facebook foi fundamental na nova fase do negócio, além do resultado da repercussão de formadores de opinião na área. Segundo Hissa, foi investido em comunicação em torno de R$ 30 mil.

“Ano passado quando a gente começou a não dar conta das entregas, tivemos um aumento significativo nas vendas e um crescimento de 70% no faturamento por conta da nova proposta”, conta. Celina lembra ter enfrentado dificuldades relacionadas ao comercial da empresa, à satisfação do cliente e na administração do negócio. Para receber orientações nesse sentido, ela contratou uma consultoria que a ajudou a administrar o negócio.

“O medo de investir é um erro frequente, eu comecei com uma loja e a gente fazia tudo, não investia em gerente. Outro erro é que às vezes a gente acha que é melhor colocar nosso dinheiro na empresa no lugar de procurar financiamento de banco, procurei o Banco do Nordeste e você trabalha a longo prazo, investe e parcela”, relata.

Celina Hissa optou por tirar um baixo pró-labore, valores retirados pelos sócios de uma empresa em pagamento de serviços, neste primeiro ano de novo posicionamento da empresa. “Aprendi na prática nos primeiros anos. A consultoria financeira ajudou muito na questão e pensar de separar o dinheiro da empresa do seu dinheiro pessoal, organograma, fluxo de caixa, prever gastos futuros e investimento que vão precisar ser feitos”, aponta.

Sucesso nada gelado

Sócios do Selecto Ice que expandiram o negócio para fora do Ceará Foto: Nah Jereissati

Sofia Torquato idealizou a marca de picolé Selecto Ice com a sogra Mirian Pereira e o marido Júlio César Castanheira em 2013. A proposta do trio era apresentar um produto diferenciado aos interessados em alimentação saudável e em qualidade de vida. Conforme a empresária, com apoio do Sebrae foi estabelecido o diferencial da empresa no mercado e a formulação de preço.

“Desde o início, a gente queria atender uma fatia de um público exigente, que soubesse o que estava consumindo”, explicou. O grupo montou a fábrica de picolés com um montante de R$ 600 mil.

A empresa tem como público-alvo o A, no entanto, Sofia destaca que são atendidos os demais públicos pelo preço acessível do picolé, que tem valor inicial de R$ 2,50 e deve ser estipulado em breve em R$ 3. Os picolés não contam com o uso de gorduras trans, saturadas, hidrogenadas, à base de água mineral, algumas versões sem lactose, sem glúten e sem corantes, aromatizantes, ou saborizantes. O picolé é encontrado nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Maranhão e São Paulo.

Formada em Direito, Sofia conta ter sido difícil no início fazer a abordagem aos clientes, realizar o desenvolvimento do produto e o trabalho na área comercial. Para tornar a empresa conhecida, eles apostaram na divulgação do produto com ações de degustação, com o envio de picolés para formadores de opinião e fechando parcerias com lojas.

“O crescimento e aceitação no mercado foram positivas em relação a uma empresa que nunca tinha trabalhado com produtos regionais na cidade”, lembrou. De acordo com Sofia Torquato, a maior dificuldade enfrentada foi a de conseguir mostrar ao cliente que um produto regional teria qualidade para competir no mercado.

Apontando a importância de se investir na empresa e focar em um produto que atenda à demanda do mercado, ela relata que, nesses três anos, todo o lucro da empresa tem sido reinvestido na compra de maquinários. “Os três foram muito conscientes. O lucro a gente reinveste em freezer, maquinário, isso é da alma do negócio nem todo mundo sabe. O dinheiro começa a entrar e a pessoa começa a confundir e não tem capital de giro para investir na empresa”, avalia.

Doce investimento

Mila Ary com o fruto do seu sucesso Foto: Kid Júnior

Apaixonada por doces, Mila Ary, do Empório Brownie, iniciou a empreitada com encomendas feitas em casa a partir de uma receita de família. Ela relata ter feito divulgação do negócio por meio de amigos e um ano depois precisou abrir um espaço para trabalhar, pois a cozinha da casa dos pais não suportou a demanda.

Em 2008, Mila abriu a primeira loja com cerca de R$ 50 mil. No período que trabalhou fazendo encomendas em casa, ela juntou dinheiro para começar o investimento inicial e poder dispor de um capital giro. O primeiro espaço era pequeno e contava com uma semicozinha industrial, lá ela começou a vender produtos como brownie, cupcakes e bem-casados, lembra a empresária.

“A lojinha ficou muito movimentada, com muita gente. Não chegamos a fazer marketing, o maior foi o boca a boca. Na época não existia doceria voltada só para sobremesa”, recorda. O Empório Brownie conta hoje com nove lojas espalhadas em Fortaleza, muitas em shoppings da cidade, e com uma média de 70 funcionários.

Segundo ela, acreditar na ideia e no produto ofertado são pontos fundamentais para que o negócio se desenvolva. Além disso, a empresária observa ser preciso estar preparado para abrir mão de muitas coisas ao se jogar em uma empreitada. “Tem que ter muita força de vontade e dedicação, e acreditar no seu produto”, disse.

Formada em Administração e vinda de uma família de comerciantes, Mila disse não ter sentido dificuldade em administrar uma empresa. Segundo ela, o mais difícil do negócio é o tratamento com pessoas no sentido do aperfeiçoamento do atendimento seguido pela preocupação de manter a qualidade do produto.

“Nossa opção de serviço em Fortaleza é fraca, talvez seja da cultura. Treinar pessoas para estar atendendo nossos clientes, treinar pessoas desde o início e a gente não consegue que as pessoas prestem o serviço que gostaria que fosse prestado, o mais difícil de atendimento”, analisou.